A amada professora e ex-aluna da UMass, Rana Zoe Mungin, morre de coronavírus após ter sido recusada o teste duas vezes

Este acontecimento chama atenção nacional para disparidades raciais na área da saúde pública

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(Judith Gibson-Okunieff/Daily Collegian)

Na segunda-feira, 27 de abril, Rana Zoe Mungin, mestre de Belas Artes pela Universidade de Massachusetts (classe de 2015) e professora de estudos sociais na Bushwick Ascend Middle School, no Brooklyn, morreu após uma batalha de um mês contra o COVID-19. Segundo informações fornecidas à ABC News pela família de Mungin, antes de seu diagnóstico, Mungin foi recusada o teste duas vezes no Brookdale Hospital, no Brooklyn. Sua família acredita que o fato de Mungin ser uma mulher negra tenha influenciado a qualidade do tratamento recebido.

“As disparidades por conta de racismo e acesso à saúde ainda continuam… [e] o código postal em que vivemos ainda predetermina o tipo de atendimento que recebemos,” escreveu sua irmã Mia Mungin no Facebook no início deste mês. 

Segundo relatos de sua família e amigos, Mungin já sofria de pressão alta e asma e começou a ter sintomas no início de março. Enquanto inicialmente tentava controlar os sintomas em casa, ela entrou em contato por duas vezes com o hospital e foi recusada o teste. Em uma ocasião, sua família chamou uma ambulância em devido à falta de ar. Segundo sua irmã, os paramédicos descartaram os sintomas como um ataque de pânico. 

“Ele insinuou que ela estava tendo um ataque de pânico. Ela continuou dizendo: ‘Não consigo respirar’,” relatou Mia Mungin ao PIX11 News.

Em sua terceira viagem ao hospital, um dia depois, ela foi internada e colocada em um ventilador. Após sua irma entrar em contato com vários legisladores, incluindo o senador Chuck Schumer, de Nova York, Mungin foi transferida para outro hospital. Por la ela permaneceu ate perder sua batalha contra o vírus no início desta semana, aos 30 anos. 

O Departamento de Inglês da UMass, onde Mungin era estudante e educadora, divulgou uma declaração em homenagem a Mungin e seu trabalho, descrevendo-a como uma “escritora, ativista e educadora- uma professora dedicada e inspiradora”. A declaração também discutiu como “o descaso com seus sintomas é um registro da longa história de barreiras econômicas e raciais de acesso à saúde enfrentadas pelas mulheres negras neste país”. 

“Ela incentivava conversas sobre racismo institucional aqui na UMass; nossos programas, professores e alunos agradecem que ela tenha passado um tempo aqui, compartilhando seu conhecimento, experiência e perspectiva,” escreve o Departamento de inglês. “Ela fará falta nesta comunidade.”

“A morte dela já está atraindo atenção nacional em relação ao viés racial e aos cuidados e tratamento do COVID-19,” acrescentou o departamento.

A declaração da UMass, bem como declarações semelhantes do Wellesley College, onde ela recebeu seu diploma de bacharel, e da Bushwick Ascend Middle School, apontam para o seu impacto significativo na comunidade e seu trabalho acadêmico. Em 2013, Mungin recebeu o prestigioso prêmio AWP Intro Journals em ficção por seu conto “Love, From Mexico”(“Com Amor, do Mexico”) publicado no Quarterly West. Seus trabalhos foram apresentados em diferentes publicações importantes, e uma narração do seu conto “Never Get Married” está disponível no Catapult Podcast. 

“Alunos e funcionários eram atraidos por sua personalidade espirituosa,” disse Miatta Massaley, diretora da Bushwick Ascend Middle School. “Você sempre encontrava um grupo de pessoas na sala de estudos sociais conversando com Zoe depois da escola. Era quase impossível passar na sua sala para uma pergunta rápida, porque ela tinha uma maneira de fazer com as pessoas quisessem conversar com ela por horas.”

Além de suas produções literárias, Mungin tem conversado abertamente em entrevistas e artigos sobre racismo institucional e experiências pessoais com micro e macro agressões no meio acadêmico. Em 2014, ela publicou o artigo “Dear Umass MFA”, onde refletiu sobre essas experiências em seu programa de Mestrado em Belas Artes na UMass. Em 2015, ela foi entrevistada no Wellesley Underground. Ela descreve nessas aparições coisas como rejeição, isolamento e racismo na UMass, tanto no programa de MFA quanto como professora. 

Durante a entrevista, ela discute tudo, desde sua introdução à escrita e sua infância no leste de Nova York, seu tempo na Wellesley e na UMass, sua escrita, livros favoritos e conselhos para mulheres negras que estão interessadas em programas de MFA. No final de sua entrevista, quando questionada sobre seus planos futuros, ela disse que esperava terminar o livro em que estava trabalhando. Ela também expressou seu amor por ensinar e seu desejo de fazê-lo a nível universitário, talvez com doutorado. 

Outras fontes de notícias também relataram a luta de Mungin contra o COVID-19, incluindo Grio, MassLive, NBC News e Fox News. Algumas fontes acompanharam sua história a partir de seu tempo no hospital, como em um artigo escrito pelo The Appeal intitulado “Black Women Have Long Faced Racism in Healthcare, COVID-19 is only Amplifying it” (“Mulheres negras enfrentam racismo no sistema de saúde ha muito tempo, o COVID-19 só esta amplificando isso”)

“Ela morreu não apenas por causa do COVID-19, mas porque vivemos em um mundo racista e anti-negro,” comentou o amigo Noemi Maciel à ABC News. “Sabemos que os negros estão morrendo a taxas desproporcionais. Isso não deve ser ignorado.”

Claire Healy pode ser contada através do clairehealy@umass.edu e seguida no Twitter @clurhealy

Carly Longman é tradutora de português do Collegian e pode ser contada através do [email protected]

Gabriella Lalli Martins é editora de português do Collegian e pode ser contatada através do [email protected]