É uma boa ideia dar CBD para seus animais?

Pode parecer uma ideia atraente, mas também existem riscos

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Alegando tratar de tudo, desde acne a câncer, a crescente indústria de Canabidiol deverá ultrapassar US $20 bilhões em vendas no mercado até 2024. Com esse sucesso, a indústria tem um novo objetivo, que deve deixar os consumidores desconfiados. As empresas de CBD estão agora comercializando seus produtos para animais de estimação.

O primeiro e mais preocupante problema relacionado ao uso de produtos com CBD em animais de estimação é a segurança. O CBD é um composto naturalmente derivado da cannabis, mas, diferentemente do tetra-hidrocanabinol (THC), ele não é psicoativo, o que significa que o CBD não produz o mesmo “barato” quando consumido por seres humanos. Embora o composto seja amplamente considerado de baixo risco, seus efeitos a longo prazo ainda não são suportados por pesquisas e o FDA (Food and Drug Administration, algo como a Anvisa americana) ainda não aprovou nenhum produto que contenha a substância para animais de estimação. 

Embora teoricamente o CBD contenha pouco ou nenhum THC, o setor é essencialmente não regulamentado. Como resultado, alguns produtos podem conter mais THC do que afirmam. Isso representa uma ameaça à segurança do animal de estimação porque, mesmo em pequenas doses, o THC pode ser tóxico para cães e gatos. 

Estudos sobre os efeitos do CBD em animais de estimação são escassos e os que existem são tendenciosos e subjetivos. Isso significa que não há como os donos saberem escolher uma dosagem segura para seu animal com base em fatores como raça, idade e peso. Como falta uma pesquisa sólida sobre o CBD e só recentemente ele se tornou popular, ainda não é possível dizer quais serão os efeitos da substância a longo prazo na saúde dos animais. 

Além da segurança, há uma questão moral mais profunda por trás desse novo método de cuidados com os animais. Muitas das razões que as pessoas têm para usar o CBD em seus animais de estimação têm a ver com o comportamento dos mesmos. 

No Reddit, há um grupo de donos de animais discutindo o uso do CBD para domar seus cães “mal-comportados”. Esses donos ficam frustrados porque seus animas não os escutam, puxam a coleira, latem e geralmente se estressam durante as caminhadas. O tópico discute o uso do CBD nesses animais problemáticos para reduzir comportamentos perturbadores e ilustra um dos motivos mais comuns para fornecer CBD a um animal. 

Outras comunidades online de donos de animais sugerem o uso do CBD para lidar com ansiedade causada por separação e uma longa lista de “comportamentos destrutivos,” como cavar, mastigar, uivar, latir, fazer xixi, tremer, andar de um lado para o outro… preciso continuar? Basicamente, se um animal está agindo como um animal e ele incomoda o dono, basta usar o CBD!

Nessas situações, o CBD age como um band-aid – um “atalho” para o bom comportamento – e não trata dos problemas subjacentes que estão causando o sofrimento do animal. 

Por exemplo, alguns dos sinais de que um animal não está se exercitando o suficiente, como comportamento destrutivo, latidos excessivos, hiperatividade e mau comportamento na coleira parecem muito com os sintomas de “mal-comportamento” que as empresas de CBD gostariam que os donos tratassem com seus produtos.

Sim, existem alguns animais que são perfeitamente bem-cuidados e ainda lutam com questões comportamentais. No entanto, o fato de que mais de 50% dos cães nos EUA são considerados obesos ou com sobrepeso deve nos dizer que também há alguns problemas sérios associados as práticas comuns de cuidados com animais. Os animais supostamente incorrigíveis podem não precisar de drogas, e sim de mais atenção.

Sempre houve donos preguiçosos com seus animais de estimação – aqueles que são incapazes ou não querem ter o trabalho de  treinar e exercitar seus animais. A diferença é que, no passado, essa preguiça significava que o dono tinha que lidar como os problemas comportamentais resultantes. Hoje, um dono preguiçoso que não quer voltar para casa e ver um sofá mastigado pode simplesmente colocar um pouco de óleo de CBD no café da manhã de Fifi e sair durante o dia com a certeza de que não voltará a vê-lo destruído.

Mesmo quando novas pesquisas estiverem disponíveis para ajudar os donos a tomarem decisões informadas sobre dar ou não CBD aos seus animais, o argumento de que essa prática esta somente mascarando problemas mais sérios ainda sera valido.

Cuidar de animais de estimação é fazer as escolhas certas para um animal que depende de um humano para ajudá-lo a viver uma vida satisfatória. Se o mesmo está exibindo problemas comportamentais, isso provavelmente significa que algo está faltando na vida dele, e esse algo não vai vir de uma “folha da moda”.

Lily Robinson é colunista do Collegian e pode ser contada através do [email protected]

Carly Longman é tradutora de português do Collegian e pode ser contada através do [email protected]

Gabriella Lalli Martins é editora de português do Collegian e pode ser contatada através do [email protected]