Os alunos internacionais têm dificuldade em obter os recursos acadêmicos necessários

Os estudantes internacionais enfrentam dificuldade em adquirir itens para as aulas.

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Os estudantes internacionais enfrentam muitas desvantagens desde que a Universidade de Massachusetts decidiu se tornar quase totalmente remota devido à pandemia. Embora questões de visto e diferenças de horário tenham sido os obstáculos iniciais, os estudantes internacionais agora têm dificuldades em acessar os recursos acadêmicos necessários, independentemente de serem digitais ou físicos. 

Com as regulamentações de COVID-19 em todo o país, tem havido atrasos enormes no envio ou fabricação de produtos educacionais, como livros didáticos ou dispositivos de aprendizagem especiais. Independentemente da matéria que cursam ou do país em que estão, muitos estudantes internacionais relataram ter enfrentado algum tipo de dificuldade para conseguir esses itens para suas aulas. 

Por exemplo, todos os alunos que fazem um curso de cálculo devem comprar o WebAssign, uma plataforma online que permite que eles façam suas tarefas de casa. Este programa também fornece um livro que é uma grande necessidade durante o curso. No entanto, o CenGage, o portal pelo qual eles compram o WebAssign, não permite que alunos da Ásia comprem produtos do seu site. Ao tentar acessar o site, surge uma mensagem dizendo que a empresa não tem loja no continente, por isso as pessoas de lá não podem comprar nenhum de seus produtos, mesmo os digitais.

Rahul Vedula, um estudante indiano de primeiro ano de informática que está cursando Matemática 131 (Cálculo II), disse que “foi um processo tedioso tentar obter acesso ao WebAssign. Fiquei muito confuso quando vi a mensagem, especialmente porque meu professor nos deu um link para comprá-lo e a maior parte da minha turma conseguiu acessar facilmente, exceto eu.”

Medulla também explicou que teve que recorrer a métodos mais complexos para obter acesso ao programa, incluindo tentar usar uma rede privada virtual (VPN) dos EUA e entrar em contato com pessoas de lá para comprar o produto para ele por meio de sua conta. Quando questionado sobre como se sentia e o apoio que recebeu da UMass, ele disse que “embora o problema tenha sido corrigido depois que escrevi para meu professor, teria sido bom ter um alerta geral dizendo que algo não estava funcionando da maneira que deveria.”

“Isso teria me salvado de muito estresse e pânico, mas por outro lado, meu professor realmente tentou me ajudar a resolver o problema me acompanhando regularmente e procurando uma solução.”

Semelhante ao WebAssign, solicitaram aos alunos que fazem certos cursos de física a comprar um iOLab, um dispositivo de bolso usado em substituição ao equipamento de laboratório. Embora a UMass tenha removido os custos de laboratório associados a essas aulas, isso só beneficiou os alunos que estudam nos EUA, pois eles podem alugar o dispositivo a preços menores. Os estudantes internacionais, por outro lado, tinham que comprar um totalmente novo e arcar com todos os custos associados, que incluíam frete e imposto de importação. 

Inicialmente, a UMass forneceu a esses alunos links para solicitar o dispositivo. No entanto, todos eles esgotaram cerca de uma semana após o anúncio. Depois disso, os alunos se voltaram para a Amazon, onde tiveram que pagar cerca de US$ 331, com quase US $144 sendo associados a taxas de importação. O custo variou entre os países. 

Mahidhar Lakkavaram

De acordo com o site da Amazon, “Uma estimativa de taxas de importação será cobrada sobre os itens de seu pedido.” Se a estimativa não fosse exata, o valor adicional seria reembolsado, disse o site. Se as taxas de importação verdadeiras excederem a estimativa da Amazon, o aluno não terá que pagar nenhum valor adicional. Caso desejem devolver o aparelho devido a danos ou outros problemas, devem cumprir as leis de exportação que podem incluir uma taxa adicional para devolvê-lo, tornando-se uma opção inviável para muitos alunos.

Shreayaa Nadagudy Srinivasan, uma caloura do curso de pré-engenharia cursando Física 151, disse que todos os sites que ela acessou estavam sem estoque do iOLab e que a Amazon era muito cara. Quando questionada sobre seu plano para obter o dispositivo, ela explicou: “Estou entrando em um plano de envio conjunto que a Universidade criou. O que eles farão é enviar uma grande quantidade desses dispositivos para uma única pessoa em cada um de nossos países, que vai envia-los para nos apos o recebimento.”

Srinivasan, que também é da Índia, explicou como se sentia sobre a situação: “Neste momento, devo ter o dispositivo em mãos antes da minha primeira aula, que é nesta sexta-feira, mas não sei até que ponto o envio conjunto funcionaria.” Ela também disse que a UMass parecia compreender a situação, especialmente Irene Dujovne, uma professora do departamento de física, que informou todos os alunos do plano e estava em comunicação com eles durante todo o processo. 

“Eles poderiam ter mencionado esse plano de transporte combinado de antemão. Eu sinto que cada aluno de um determinado país teria seus dispositivos em mão se tivessem feito isso,” disse ela.

Srinivasan disse que se sentiu particularmente estressada com toda a situação, já que não queria ficar para trás em seus laboratórios e atrasar seu trabalho. Segundo ela, tudo parecia uma “dor de cabeça gigante.” Ela ainda não recebeu o dispositivo. 

 

Mahidhar Sai Lakkavaram é um colaborador do Collegian e pode ser contatado em [email protected], e o Twitter @Mahidhar_sl. 

Carly Longman é tradutora de português do Collegian e pode ser contada através do [email protected]

Gabriella Lalli Martins é editora de português do Collegian e pode ser contatada através do [email protected] e no Twitter @GabiLalli.