A História Negra merece mais do que um mês

Neste Mês da História Negra, pense sobre o por que relegamos toda a história negra para apenas um mês

Bradley+Weber%2FAll+Creative+Commons%2FFlickr

Bradley Weber/All Creative Commons/Flickr

Esta semana marca o início do Mês da História Negra, um mês que, de acordo com o History Channel, é “uma celebração anual das realizações dos negros e um tempo para reconhecer o papel central das pessoas negras na história dos EUA.” Durante esse período, é comum celebrar figuras conhecidas, como Martin Luther King Jr., Rosa Parks, Harriet Tubman e o ex-presidente Barack Obama. 

Mas por que relegar uma história tão ampla para apenas um mês, considerando o fato de que a escravização dos africanos era essencial para a acumulação de riqueza americana? Os americanos negros também lutaram por esse país pensando que, uma vez que demonstrassem que estavam dispostos a morrer em combate, os Estados Unidos finalmente concederiam a eles os mesmos direitos humanos básicos que afirmavam estar defendendo em outros lugares. 

Embora os ideais fundadores do país tenham sido escritos em linguagem “sem cor”, foram os americanos negros que lutaram para torná-los verdadeiros na prática. Nikole Hannah-Jones argumenta, em seu artigo que e parte do 1619 Project do New York Times que “através de séculos de resistência e protesto negros, ajudamos o país a alcançar seus ideais fundadores” e que essa resistência “abriu o caminho para todas as outras lutas por direitos, incluindo pelo direito das mulheres, dos gays, dos imigrantes e doa portadores de deficiencia.

A semente do Mês da História Negra começou no início dos anos 1900, quando o historiador Carter G. Woodson e outros americanos negros trabalharam para lançar a Semana da História Negra, que foi uma resposta à profunda falta de representação negra nas narrativas populares da história americana. Woodson alertou que “[uma] raça não tem história, não tem tradição que valha a pena, se torna um fator insignificante no pensamento do mundo e corre o risco de ser exterminada.” A conscientização e a participação nessa comemoração aumentaram com o tempo, e em 1976, o presidente Ford reconheceu oficialmente o Mês da História Negra como uma observância nacional. 

 Celebrar intencionalmente a história negra é certamente melhor do que procurar esconde-la. Mas, relegar o reconhecimento nacional a um mês de figuras negras pré-selecionadas envia uma mensagem distorcida da história americana, onde a história negra e vista como adjacente a histórica americana, ao invés de ocupar um papel central. O próprio Woodson viu a Semana da História Negro como um modelo para eventualmente reconhecer a história negra durante o ano todo, não como algo a ser comercializado e confinado.

Esse tipo de apresentação não apenas impede um acerto de contas significativo com a história e conexões autenticas para apresentar injustiças, mas ignora amplamente as ações históricas e livre-arbítrio dos negros fora do “olhar branco”. Quando cresci, nunca aprendi sobre comunidades quilombolas, grupos de africanos escravizados que estabeleceram suas próprias sociedades independentes dos opressores brancos, ou AfriCOBRA, um movimento artístico fundado em 1968 em Chicago que inspirava a solidariedade negra e o auto-empoderamento. 

Neste Mês da História Negra, veja como os sucessos e realizações dos americanos brancos estão intimamente ligados ao trabalho e ao sofrimento de americanos negros. Separe o fato da ficção quando se trata de Black Lives Matter e conecte-o ao nosso atual movimento de direitos civis. Aprenda e apoie os muitos americanos negros que estao atualmente escrevendo e se manifestando contra a injustiça racial, como Rachel Cargle, Catrice Jackson, Ibram X. Kendi e Ta-Nehisi Coates

Como observou o comediante Chris Rock, “o Mês da História Negra é o mês mais curto do ano e o mais frio – só para o caso de querermos uma parada.” A verdadeira justiça racial nunca será uma realidade enquanto a história dos negros, assim como os próprios americanos negros, são considerados periféricos ao nosso entendimento da América. 

Jennie Moss é uma colunista do Collegian e pode ser contada através do [email protected]

Carly Longman é tradutora de português do Collegian e pode ser contada através do [email protected]

Gabriella Lalli Martins é editora de Português do Collegian e pode ser contatada através do [email protected]